(por Herbert Drummond)
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nota acima saiu na edição de hoje
(27/Set/2011) da Folha de São Paulo na coluna "Poder" com assinatura
da consagrada jornalista Renata Lo Prete. Tendo trabalhado no governo até bem
pouco tempo (estou fora desde o início de junho passado) me permitam comentar a
respeito do assunto e dar um depoimento que considero construtivo.
Em primeiro
lugar devo dizer que não me causa (e nem a ninguém do governo ou da iniciativa
privada que haja trabalhado ou ainda trabalhe nos organismos e nas instituições
de infraestrutura) nenhuma surpresa o baixo "ritmo das obras de
infraestrutura associadas à Copa-2014" como está na notícia. Todos
os sistemas que envolvem as execuções de obras e serviços para o Governo
Federal foram montados e estão constituídos para funcionar com lentidão e falsa
preocupação com prazos e custos.
Desde o
processo da tomada de decisões nos altos escalões até a execução dos contratos
passando pelos estudos de viabilidade, projetos, licitações, contratações,
fiscalizações e pagamentos estão habituados a funcionar de forma tosca e
primitiva. O “estado da arte” está tão longe quanto uma quimera.
O Fato
Dizer
simplesmente que a "máquina do governo" é lenta e emperrada não
traduz a realidade. O fato é que todos os programas do Governo Federal, sem
exceção, não têm planejamento moderno, programação eficiente, execução eficaz e
fiscalização competente. Conceituando de forma simples: Um caos fantasiado de ordem.
E é assim
desde sempre. Pelo menos desde 1971 quando comecei a trabalhar em obras
federais como simples engenheiro. Devo registrar que não estou denunciando nada
e sequer fazendo críticas. Apenas atesto uma realidade que é do conhecimento
de todos aqueles que militam nas esferas da construção de infraestruturas.
Embora, se perguntados, na maioria, irão negar publicamente aquilo que é
expresso em conversas privadas. Fazer o quê?
Os
fundamentos, os motivo, as causas para esta verdade são tão complexos e profundas
que seria necessário um "Tratado" para abordá-las todas. Dai a razão
de dizer que não há surpresa quando a cúpula do Governo Federal constata
"o baixo ritmo das obras da Copa-2014". E diga-se passagem que não
são apenas as obras da Copa, todas as demais obras do PAC estão igualmente atrasadas
e continuarão assim por mais que a presidenta Dilma, se exaspere, se zangue,
ameace demitir ou demita, bata os pés e dê murros na mesa. Essa realidade não
vai mudar se não se modificar o atual paradigma.
As razões?
Respondo invocando Chicó, aquele
personagem do "Auto da Compadecida" que quando não sabia explicar as
suas "histórias" respondia "Não
sei, só sei que foi assim".
"Receita de Bôlo"
O que pode
ser feito para minimizar esta perspectiva de fracasso que assombra o governo em
relação à infraestrutura para a Copa do Mundo? Neste ponto do meu escrito vou
expressar minha opinião com base na extensa e (sem falsa modéstia) exitosa
experiência que acumulei ao longo de muitos anos trabalhando exatamente
na área de infraestrutura.
Listarei os
seguintes pontos:
1. Primeiramente não adianta indicar um
"super-gerente" espelhando-se no decantado estilo da própria
presidenta Dilma Roussef quando comandou o PAC-1. Isso não funciona! Não
funcionou no PAC-1 nem em qualquer outro programa de obras de qualquer outro governo. Não é questão de estilo. O (relativo) êxito alcançado no governo anterior do presidente Lula foi muito
mais devido aos seguintes tópicos e providências:
o
Disponibilidade a tempo e à hora de recursos
para as obras sem que faltassem orçamento e dinheiro vivo para licitações,
contratações e pagamentos sem atrasos. Determinação e decisão politicas. Isso sim foi muito mais efetivo do
que a qualquer "sistema de controle de gestão" dos programas. Atualmente existem
problemas de toda ordem nesses vetores.
o
Existência de lideranças mais experientes e
comprometidas nos comandos dos ministérios e órgãos de execução (empresas públicas,
agências e autarquias). Atualmente há um visível vazio - em diversos escalões
das hierarquias do governo - de executivos competentes e compromissados com o
êxito e o sucesso dos programas federais.
2. Não é confiando na “habilidade” de dar broncas e censuras,
no poder do corretivo e do esbregue ou no “talento” de promover repreensões e reprimendas,
que os comandantes fazem seus gerentes funcionar. È necessário um sistema de motivação
mais moderno e com instrumentos de controle que possam detectar falhas e
indicar correções apoiando as estruturas e os executivos. Não se
alcançam níveis de eficácia promovendo excomunhões e execrações como é comum no
estilo do cognominado "Gerentão". É falacioso acreditar que a chibata
motiva mais que o aplauso, o amparo, o suporte...
Poderia
continuar listando uma série de itens, mas acho que a minha opinião já está
configurada. Pessoalmente não acredito que o governo consiga mudar seu estilo
de uma hora para outra. O próximo "Balanço do PAC" - se não for "maquiado”
- vai exibir índices muito baixos de execução e vai obrigar a presidenta e seus
ministros a conviver com doses maciças de aflição, angústia, apreensão, atropelo,
impaciência, inquietação, preocupação, receio e tormento. Assim mesmo, tudo
junto e misturado. Vai ser "Um Deus nos acuda!
Ainda há
tempo.
São pouco menos de mil dias para Copa. É muito tempo! Entretanto as
medidas para resolver os problemas certamente não são essas que estão no
receituário do governo. Qualquer consultor sério atestará isso.
Que o
alto-comando comece a convocar os "profissionais" para pilotar os
"Boeings" e comandar os "transatlânticos"; para liderar as
execuções das obras. Eles existem, são conhecidos e estão no mercado (inclusive
nos quadros da Administração Pública) dispostos a trabalhar e aceitar desafios.
Todavia não vão admitir ser "indicados de políticos"; e ai está o
chamado "xis da questão".
Como diz aquele velho chavão popular: “Está na hora
de separar os homens dos meninos".












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