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Esse tipo de conduta, para dizer o mínimo, remonta aos tempos do despotismo e da autocracia. Pior, seus “praticantes” (em geral) não são lineares em seus comportamentos. Quero com isso dizer que normalmente estes comandantes só dirigem sua ira contra os subordinados mais temerosos e medíocres. Nos relacionamentos com o pessoal do “andar de cima”, normalmente são mansos e corteses. Essa dicotomia é a maior fraqueza dos “poderosos com pavios curtos”.
Todavia vou centrar na parte técnica da liderança as razões do meu repúdio ao estilo irritadiço e irascível dos “gerentões”. Deixarei à margem as razões de rejeição comportamental que são tão detestáveis quanto.
Em primeiro lugar é ponto pacífico na doutrina corporativa que um comando irascível, mal-humorado, rabugento e raivoso não contribuirá para a construção de uma equipe, de um time. São vastamente conhecidos, por quem se entende como gestor, os muitos estilos gerenciais voltados para as tarefas e aqueles outros mais dirigidos para as “humanidades”.
Estudos e mais estudos sobre os estilos gerenciais estão disponíveis – em todos os idiomas - nas bibliografias, pesquisas e teses acadêmicas nas livrarias, universidades e até na internet.
Só para ilustrar cito um que li algum tempo atrás com o título de “A influência do estilo gerencial na satisfação dos funcionários em empresas de rede varejista: um estudo de caso”. O autor é Robson de Moraes Rocha Medeiros Freitas Lourenço e foi produzido para a Universidade de Taubaté em 2002.
Trechos interessantes do trabalho (todos os grifos são meus):
- “Num mundo em que a confiança é um bem escasso, deve-se conquistar a fidelidade dos subordinados que prestam o serviço, para que possam também conquistar a fidelidade dos clientes, a qual está relacionada à frequência de compra. Surge, nesse contexto, a necessidade de se construir estruturas organizacionais flexíveis e baseadas na responsabilidade de cada um em relação ao todo, a partir de uma crescente valorização do ser humano e das relações dele com os outros ao seu redor.”
- O trabalho em equipe só terá expressão real e verdadeira se e quando os membros do grupo desenvolverem sua competência interpessoal, o que lhes permitirá alcançar sinergia em seus esforços colaborativos, para obter mais que a simples soma das competências técnicas individuais como resultado conjunto do grupo.”
- Observou-se que gerentes com estilos de liderança que apoiavam e incentivavam seus subordinados foram considerados pela grande maioria deles como democráticos e dispostos a ouvir opiniões, utilizando-se do diálogo como forma de atingir as metas coletivas.
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Acho que posso dar um "pit stop" nesse ponto convidando-os a não fazer parte de qualquer grupo de trabalho ou equipe cujo chefe tenha “pavio curto” e seja autocrático, mal-humorado, rabugento e raivoso. Sua carreira não será valorizada e seu trabalho – se algum resultado for alcançado - não será reconhecido. É aquilo que os jovens chamam de... "roubada".
Digo, afirmo e confirmo com a experiência no exercício de comando em vários níveis – como supervisor, chefe, gerente e diretor desde 1972 até 2011 - que o estilo “pavio curto” não funciona e não atinge resultados consistentes. É um estilo de gerência pobre. Ponto.
Prossigo. Por conta disso não acredito que a presidente Dilma Roussef consiga manter essa forma de conduzir sua equipe de ministros e auxiliares sem atravessar grandes tempestades corporativas. E ela é assim mesmo, tem pavio curto e suas certezas são tão inabaláveis quanto sua autoestima e confiança no seu modus operandi.
Como diretor de órgão público federal, enquanto ela era ministra no governo do presidente Lula, tive oportunidade de vê-la em ação por algumas (poucas) vezes em reuniões com seus colegas e auxiliares. Eram também públicas e conhecidas de todos que já se tinham reunido com Sua Excelência as histórias de suas “broncas raivosas” e descomposturas públicas naqueles que não satisfaziam seus critérios de cobrança de resultados.
Como diretor de órgão público federal, enquanto ela era ministra no governo do presidente Lula, tive oportunidade de vê-la em ação por algumas (poucas) vezes em reuniões com seus colegas e auxiliares. Eram também públicas e conhecidas de todos que já se tinham reunido com Sua Excelência as histórias de suas “broncas raivosas” e descomposturas públicas naqueles que não satisfaziam seus critérios de cobrança de resultados.
As reuniões comandadas pela então ministra da Casa Civil (e suas assessoras mais diretas) eram verdadeiras câmaras de constrangimentos para seus participantes. Algo assustador sob o ponto de vista da melhor técnica gerencial na formação e apoiamento às equipes de um mesmo ativo corporativo. Nada de construtivo exarava daquelas salas exceto o alívio pelo fim das reuniões. Como Presidente da República tudo indica que o estilo continua o mesmo. Pena...
Por isso achei excelente a reportagem da Folha de São Paulo. Só não concordei com o tom de (aparente) aceitação que a matéria deposita no estilo da presidente. Não percebi críticas aos danos que são visíveis na equipe de ministros e auxiliares. Não li nada sobre a falta de sinergia e o desconforto que esse comportamento da comandante causa ao seu time e por via de consequência com potencial de alto risco para seu governo.
Como nós estamos falando de governo do Brasil não é difícil perceber aonde esse “conjunto da obra” pode nos levar. Espero que haja alguém que consiga “chegar junto” da nossa presidente e mostrar-lhe que ter pavio curto” não faz de nenhum gestor um líder.
Leia a seguir o texto do artigo da jornalista Vera Magalhães e em seguida conheça algumas situações colhidas pelos informantes da Folha de São Paulo nos bastidores das relações entre a presidente e sua equipe.
Leia a seguir o texto do artigo da jornalista Vera Magalhães e em seguida conheça algumas situações colhidas pelos informantes da Folha de São Paulo nos bastidores das relações entre a presidente e sua equipe.






















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