A HISTÓRIA DE CADA DIA (JULHO) - CLIQUE NO DIA DE HOJE E FAÇA UM PASSEIO PELA HISTÓRIA UNIVERSAL.

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A linha de links acima, copiada da Wikipédia, é o conjunto que direciona o navegante para os eventos históricos registrados a cada dia do mês corrente (JULHO). É só clicar nos dias (links) que escolher e você será encaminhado para um passeio pela história daquele dia. Visite ainda o site "Ponteiro" e surpreenda-se com a quantidade de informações. Confiram.

JULHO é o sétimo mês do ano no Calendário Gregoriano, tendo a duração de 31 dias. Julho deve o seu nome ao imperador romano Júlio César, sendo antes chamado Quintilis em latim, dado que era o quinto mês do Calendário Romano, que começava em Março.

16/07/2009

Maracanazzo, a página mais triste do futebol brasileiro

A foto abaixo, famosa no mundo inteiro desde 16 de julho de 1950, mostra o gol da seleção do Uruguai que calou 200.000 pessoas que não acreditaram no que estava vendo.

Passados 49 anos, o futebol brasileiro ainda não esqueceu aquela tarde e as pessoas daquela geração ficaram marcadas pela humilhação que os modestos uruguaios impuseram ao esporte brasileiro.

Só 8 anos depois o Brasil resgataria aquela pecha e mesmo assim não foi suficiente para deletar de vez o gol de Gigghia que criou uma expressão que perdura até hoje: o Maracanazzo.


Para mostrar que a história está sempre se repetindo, os torcedores do Cruzeiro de Belo Horizonte tiveram o seu "mineiraço" imposta pelos argentinos do Estudiantes de La Plata.

A arrogância e o "já ganhou" dos mineiros repetiu o estado de espirito dos brasileiros de 1950 e o Cruzeiro que já estava com as faixas e a festa prontas teve de engolir uma derrota que calou um estádio inteiro, ops! Quase inteiro, pois uma pequena torcida argentina estava lá para atanazar os mineiros (exceção feita aos atleticanos) e brasileiros que torceram pelo Cruzeiro


Abaixo da foto, no corpo do post, está uma materia do UOL Esporte sobre a copa de 1950.




Gigghia marca o gol que calou o Brasil na decisão

FOTOS DA COPA 50
A seleção não tinha como perder a final da Copa do Mundo. Jogava em casa, para 200 mil pessoas no Maracanã, tinha uma campanha arrasadora e precisava apenas de um empate. Mas perdeu. Com dois gols no segundo tempo, o Uruguai virou o jogo e conquistou o bicampeonato mundial, calando o Brasil.

Após a derrota, sobrou até para o uniforme da seleção: a camisa branca foi aposentada.


O silêncio após o nosso gol foi algo de terrível. O estádio estava morto.

Máspoli, goleiro do Uruguai, sobre o gol de empate no jogo final

Você sabia que a Índia não disputou a Copa porque a Fifa não deixou os atletas jogarem descalços?

Apenas 13 países disputaram a Copa do Mundo, o mesmo número do primeiro Mundial, em 1930.


NOTA - Todo material abaixo foi retirado do site UOL Esporte e pode ser acessado clicando aqui.


16 de JULHO - Maracanazzo: o Brasil perdeu a Copa de 1950 dentro do Maracanã.; O CZAR Nicolau II é executado na Russia pelos bolchevique (1918)

Eventos históricos do dia 16 de julho

Ficheiro:El Greco 038.jpg
São Francisco e Santo André, em quadro de El Greco
Ficheiro:Tsar Nicholas II -1898.jpg
http://e.i.uol.com.br/copa/2006/album/1950_f_011.jpg?ts=20060328121159
Brasil entra em campo para enfrentar o Uruguai no Maracanã, em partida histórica

13/07/2009

Sasquatch Music Festival 2009 - Como surge uma "onda"...

...... Nós, seres humanos, somos realmente uma coletividade inigualável.
Vejam o que um só elemento de nossa espécie - absolutamente desconhecido - é capaz de fazer quando "acerta o ponto" em meio à multidão de seus semelhantes.
...... É incrível!
...... O cara, personagem do vídeo que está fazendo o maior sucesso na internet . Está absolutamente "na dele", dançando uma coreografia esquisita e de sua mais pura invenção. Entretanto, pela sua entrega mais espontânea ao momento que está vivendo consegue chamar a atenção da coletividade, sem o desejar.
...... Outras pessoas, que o assistem no meio da multidão no "Sasquatch Music Festival 2009" vão chegando e buscam, claramente, compartilhar aquele enlevo, aquela alienação sem sentido ou razão, aquele arrebatamento que isola o rapaz de tudo que o rodeia. É um mix de delírio, encanto, e êxtase. Um vôo...
...... E as pessoas vão chegando e dançando. Entram em comunhão com o transportamento que o jovem transmite a todos. Daqui a pouco vira moda e "faz a cabeça" de um monte de gente que simplesmente "entra na sua onda".
...... É uma cena que emociona e intriga que a assiste.
...... Que química é esta?
...... Acho que a cena é uma ótima representação de várias coisas que acontecem em nossos universos pessoais e corporativos.
...... Não seria assim, por exemplo, que nasce uma liderança? Ou que nasce uma moda? Uma tendência? Ou um costume? Ou... Uma empresa?
...... Convido-os a fazer esta consideração a partir do que verão no vídeo (que, segundo as informações do YouTube já deve ter sido visto por mais de 2 milhões de pessoas.
...... É um belo exercício de reflexão, eu acho...



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12/07/2009

Lidar com pessoas dificeis faz parte de nossas habilidades corporativas...





Certamente você tem as "suas" pessoas difíceis para ocupar-se. Aliás, se não as tiver, certamente estará operando em "zona de conforto" e sua produção, como gerente, será desprezível ou desimportante.

O que estou dizendo? Será que para ser proveitoso e operante teremos, todos, que administrar o nosso "rebanho" daqueles tipos de pessoas chatas, dificultosas, bicudas e complicadas? É amigos, temo que esta seja uma daquelas verdades absolutas do mundo das corporações.

As chamadas "pessoas dificeis" são parte importante de qualquer conjunto de seres humanos com os quais tenhamos de conviver para realizar nossas tarefas. Seja no ambiente de trabalho ou fora dele estas "figuras desagradáveis" estarão fazendo parte da coletividade que nos cerca.

Não há como livrar-se delas. Assim posto, é melhor desenvolver habilidades para saber como "trafegar" em seus temperamentos e manias do que entrar nos seus círculos de (má) influência e roubo de nossas melhores energias. Sim! Porque tais personalidades podem, tranquilamente, ser chamadas de "vampiros" de nossa paciência e de nossa serenidade.

Não é à toa que estão disponíveis pilhas e pilhas de livros, vídeos, cursos e tudo que se queira com o título infalível para se conseguir nossa atenção: "Como lidar com pessoas difíceis".

Percebe-se, sem muito esforço, que além de nos trazerem toda sorte de contrariedades - refiro-me a quem esteja operando no mundo corporativo - elas (as dificeis) são também uma “fonte de renda” para se interesse sobre os temas que prometem ensinar as regras de convivência e de tratamento com tais pessoas.

Particularmente eu não acredito muito em possibilidade de coexistência pacífica com, mas entendo que - sendo competentes e muitas o são - temos o dever de saber como tratá-las e extrair delas o que têm profissionalmente de melhor. O resto é problema para os psicólogos...

O artigo (abaixo) de Susan Andrews escrito para a revista Época aborda o tópico e conta uma historinha interessante sobre como fazer para atingirmos este "Nirvana". Por favor, leiam-no e comecem a desenvolver seus talentos e artimanhas para tratar com os seus (atuais e futuros)... Insuportáveis?



Como conviver com pessoas difíceis
(por Susan Andrews)

................. Todos nós, mais dia, menos dia, esbarramos em alguém que nos tira do sério. Uma pessoa realmente difícil. Não falo dos carrancudos usuais que cruzam nossos caminhos e depois desaparecem, como motoristas mal-humorados, vendedores cricris ou entregadores grosseiros. Refiro-me aos que nos enlouquecem, pisam em nosso calo, mas que não podemos ignorar, tampouco evitar, como colegas de trabalho, vizinhos ou parentes. Pode até ser que sejam personalidades do "Tipo A", que explodem sua raiva em nós. O psicanalista Eric Berne (no seu livro "Jogos da Vida") se refere ao "jogo psicológico" que ocorre com essas pessoas c que ele chama de "gritaria". Quando o discurso racional fracassa - o que geralmente acontece, pois afinal essa é uma pessoa difícil -, as vozes se elevam e o conflito se intensifica. Segundo Berne, há três possíveis desfechos para o jogo:

  • a) você sai do recinto e bate a porta;
  • b) a pessoa difícil sai e bate a porta;
  • c) ambas saem e batem a porta. De qualquer modo, o jogo da "gritaria" sempre culmina com uma porta batendo.

................. Em vez de tentar mudar a outra pessoa, deveríamos ter cuidado para não entrar no jogo dela. Não interpretar a beligerância como um ataque pessoal e não entrar na reação de "lutar-ou-fugir" que herdamos da vida animal. Ao praticar diariamente técnicas de autotransformação, podemos manter o equilíbrio mental até mesmo nas situações mais conflitantes, sem responder reativamente a rompantes e chantagens emocionais. Poderemos ouvir calma e atentamente, sem entrar no ringue para nos defender. Uma história do folclore coreano ilustra bem isso.

................. Uma jovem mulher, Yun Ok, foi até o célebre monge da montanha.

................. - Ó respeitável sábio - disse ela. - Estou em dificuldades! Faça-me uma poção.

................. - Tudo bem - disse o sábio. - Qual é sua história?

................. - É meu marido. Nos últimos anos, ele esteve ausente, lutando numa guerra. Agora que voltou, quase não fala comigo. Se falo, ele parece não ouvir. Quando abre a boca para falar, é rude e zangado. Se lhe sirvo comida, ele não gosta; empurra o prato para o lado e sai da mesa raivoso. Preciso de uma poção para que ele volte a ser amoroso e carinhoso!

................. O sábio respondeu:

................. - Tenho a receita. Mas o ingrediente essencial é o bigode de um tigre vivo.

................. - O bigode de um tigre vivo! - disse a moça. - Como vou conseguir isso?

................. - Se a poção for realmente importante para você, então você terá êxito - respondeu o monge.

................. A moça foi para casa. Naquela noite, enquanto o marido dormia, saiu furtivamente com uma tigela de arroz e um naco de carne. Chegou a uma prudente distância da caverna de um tigre, estendeu a comida e o chamou para comer. O tigre não veio. Na noite seguinte, fez a mesma coisa, desta vez mais perto da caverna. De novo, nada aconteceu. Todas as noites ela ia à caverna, cada vez se aproximando mais. Pouco a pouco o tigre acostumou-se com ela. Certa noite, chegou a uma distância da qual se poderia atirar uma pedra na caverna e parou. A moça e o tigre fitaram-se sob a luz da lua. Na noite seguinte, ela se aproximou ainda mais, a ponto de estar tão próxima que poderia falar com o tigre com uma voz muito suave. Pouco depois, o tigre comeu a comida oferecida.

................. Na outra noite, o tigre a esperava. Depois que ele comeu, ela passou a mão sobre sua cabeça, e ele começou a ronronar. Seis meses haviam se passado desde a noite da primeira visita. Finalmente, depois de tê-lo acariciado na cabeça, ela disse: "Ó generoso Tigre, preciso de um de seus bigodes. Por favor, não se zangue comigo!". E ela cortou um dos bigodes. O tigre não se zangou, e a lambeu. Ela correu em disparada pela trilha, com o bigode nas mãos. Exultante, chegou à caverna do eremita: "Ó grande sábio, consegui o bigode do tigre! Agora você pode fazer a poção mágica!". O sábio examinou o bigode cuidadosamente, satisfeito porque era mesmo de tigre, e jogou-o na fogueira.

................. - O que você fez? - gritou a moça. - Depois de todo o esforço que eu fiz para pegar o bigode!

................. - Conte-me como você o conseguiu - disse o sábio.

................. - Todas as noites, eu ia à caverna do tigre com uma tigela de comida, para ganhar sua confiança. Falava docemente com ele, para fazê-lo compreender que só queria seu bem. Fui paciente. Cada noite, levava comida sabendo que ele não a comeria. Mas não desisti. Nunca falei asperamente, nem o censurei. Finalmente, numa noite, ele andou alguns passos em minha direção. Nas noites seguintes, ele já estava me esperando na trilha e comia da tigela. Passei a mão em sua cabeça e ele começou a ronronar. Foi aí que consegui cortar o bigode dele.

................. - Você domesticou o tigre com sua persistência e seu amor - disse o sábio.

................. - Mas você jogou o bigode do tigre no fogo! Foi tudo a troco de nada! - lamentou-se ela.

................. - Não, não foi tudo a troco de nada. Você não precisa mais do bigode. Será que seu marido é mais feroz que um tigre? Será que ele é menos sensível ao carinho e à compreensão? Se você é capaz de ganhar a confiança de um animal selvagem e sedento de sangue com suavidade e paciência, certamente poderá fazer o mesmo com seu marido!

................. Yun Ok permaneceu emudecida por alguns momentos. Então voltou pela trilha, refletindo sobre a grande verdade que havia aprendido do sábio da montanha. O segredo para lidar com pessoas difíceis é não morder a isca da negatividade delas e deixar que elas mordam sua isca de um coração empático e cheio de amor.

Não devemos tentar mudar a outra pessoa.
Nem morder a isca e entrar no jogo da gritaria

SUSAN ANDREWS é psicóloga e monja iogue.
Autora do livro Stress a Seu Favor,
ela coordena a ecovila Parque Ecológico Visão Futuro.


Talento, coragem e estrutura. Estas são as variáveis para se chegar ao pódio dos campeões corporativos.

http://cafecomlivros.com.br/upload/2009/01/mentes_perigosas_psicopata_mora_ao_lado.png




No último dia 18 de junho publiquei um post intitulado "Psicopatas, já encontrou alguém assim no seu trabalho" e recebi o comentário de um internauta que se nomeou "Crescente Dourado" (sem perfil no Blogger, mas assinado Marco Aurélio Carvalho de Araguaina-TO) dizendo o que se segue:

  • "Obrigado por postar um artigo sobre meu chefe... rsrs. Quero saber como lidar com esse tipo de pessoa? No intuito de querer ajudá-lo. Sou formado em Administração, trabalho numa grande Empresa Brasileira, gosto de desafios, de resolver os problemas. Trabalho numa filial no norte do país. Vejo que se eu continuar colocando panos quentes sobre as atitudes deste tipo de pessoa isso será ruim para meu futuro profissional, pois não sou daqueles que gostam de ser manipulados (marionetes), mas também gosto de ajudar as pessoas, sem pensar que sou melhor do que elas, mas usando de misericórdia, compaixão que as pessoas podem e devem desenvolver suas potencialidades humanas normalmente não utilizadas. Ou devo sair da empresa? muito agradecido" - Marco Aurélio Carvalho - Araguaína - To - 20/06/09 17:36

Achei o máximo ser "consultado" no blog. Certamente não é a minha proposta para a Oficina de Gerencia, mas quem não gosta de ser um "guru" sobre as coisas que escreve e diz?

Entretanto o tempo, carrasco das boas intenções, ceifou as oportunidades que tive, anteriormente, de responder ao meu preclaro leitor Marco Aurélio ato que pratico agora. Espero que ele ainda esteja buscando a resposta. Vamos lá! Recomendo que façam uma releitura do post (clique aqui) para nos sintonizarmos.

Estou certo que neste post dirigido ao Marco estarei também, respondendo inúmeros outros casos similares. Acontece que estar subordinado a chefes complicados e psicopatas não é tão incomum quanto imaginam os "aprendizes de feiticeiros corporativos". Pelo contrario! E a grande questão é realmente responder à pergunta que ele faz:

  • Devo ficar na empresa e procurar adaptar-me ao chefe ou sair?

Parece simples? Não é mesmo! Nada mais complicado do que estar "grudado" nas teias de uma “aranha” que nos comanda (corporativamente) e que seja um manipulador. Alguém que se utiliza do cargo de confiança para maquinar situações, tramar comportamentos, travar idéias e urdir situações entre seus subordinados e colegas. Dito em uma expressão simples: é um inferno!

Digo ao Marco Aurélio que a construção de uma carreira não se faz sem riscos. Acho que cabe bem aqui utilizar-me do mundo da Formula 1 como ferramenta de metáfora. Naquela corporação os pilotos estão sempre arriscando suas carreiras. Os que são vencedores ou querem sê-lo devem aliar a seus talentos profissionais, sua coragem pessoal e a estrutura de que dispõem, ou seja, suas equipes de técnicos e engenheiros. Nenhum dos três itens (existem outros, mas estes já servem à nossa alegoria) fará um vencedor isoladamente.


http://www.f1fanatic.co.uk/wp-content/uploads/2006/08/hungariangrandprix_start_2006.jpg

  • Talento, sem coragem ou sem uma corporação organizada e competente.
  • Coragem sem o talento para lhe impor os limites do conhecimento... E a corporação idem.
  • E finalmente uma corporação que seja bem estruturada, mas que não valorize seus profissionais, com talento e coragem, quanto às suas aptidões, habilidades e competências.

Nesses ambientes, com certeza, as carreiras não decolam. E o símbolo mais flagrante desse quadro corporativo são o número e a importância (na escala hierárquica) dos chefes com características psicopatas.

Quem for observador vai perceber com clareza a existência daquele “toque de psicose” no oxigênio do ambiente de trabalho onde esteja. Aquele ar irrespirável; aqueles olhares de soslaio; as conversas oblíquas... Ufa! Credo em cruz! Fujam dessa atmosfera. A poluição existente é tão densa que nada floresce ou prospera por ali. Estou certo que muitos de vocês já conheceram e temo até que já tenham trabalhado em lugares assim.


http://i.s8.com.br/images/books/cover/img9/176449_4.jpg


Para o Marco Aurélio o conselho (se é que assim posso dizer) é que não perca muito tempo com um chefe manipulador e um ambiente que o prestigie. O mundo corporativo, infelizmente, não é lugar para se praticar assistência social. É uma pista de Fórmula 1. Ali você não vê ninguém dar passagem para outro, ficar penalizado por conta de uma manobra errada do concorrente ou pensar duas vezes em “fechar a porta” – como diria Galvão Bueno - para o adversário que tenta ultrapassa-lo.

Portanto meu caro Marco. Se você quer fazer carreira nesta corporação de “pilotos” talentosos e corajosos, procure um time que possa lhe dar a estrutura de suporte incluindo chefes que não sejam... Psicopatas.



11/07/2009

O Valor da Comunicação (Emílio Odebrecht/Folha de São Paulo)

Está otimo o artigo escrito pelo empresário Emílio Odebrecht para sua coluna na Folha de São Paulo, no último dia 5 de julho.

Fiquei de posta-la no mesmo dia, mas uma coisa e outra fizeram que com que não conseguisse encaixar esta ação no meu timing. Todavia não me esqueci dela. Fui lá, no arquivo das edições anteriores da FSP e resgatei o artigo para o blog, neste post.

No texto, Odebrecht aborda um assunto que é da maior importância para a vida corporativa das empresas, a comunicação. Vejamos uma frase do artigo:

  • [...] "Comunicação é mais que informação. A informação subsidia, atualiza, nivela conhecimento. A comunicação sela pactos e educa."[...]

Outra frase importante que está lá:

  • [...] Dentre as tantas definições de comunicação, a que mais me agrada é a que diz que comunicar é influenciar e ser influenciado na busca do que é o certo. [...]

Acho que vou parar a apresentação do artigo por aqui senão vou transcreve-lo totalmente. Gostei muito, realmente, e o recomendo com toda segurança para os leitores que se interessem pela temática corporativa.



São Paulo, domingo, 05 de julho de 2009




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EMÍLIO ODEBRECHT
O valor da comunicação

.......Há uma relação direta entre o desenvolvimento das pessoas e o crescimento das empresas onde estas pessoas trabalham. Uma coisa não acontece sem a outra. É o desenvolvimento das pessoas que impulsiona o crescimento das empresas e é o crescimento das empresas que estimula o desenvolvimento das pessoas. Esta associação, entretanto, só ocorre de forma eficaz quando há alinhamento entre líderes e liderados -nos planos cultural, estratégico, moral e psicológico.

.......O alinhamento cultural é o compartilhamento de crenças e valores e o domínio de uma linguagem comum, que confere à empresa unidade de pensamento e de ação. O alinhamento estratégico dá a todos clareza quanto ao rumo a seguir e assegura a líderes e liderados uma visão do futuro. O alinhamento moral e psicológico resulta do acordo entre aqueles que têm em comum o propósito de servir e permite o exercício da intuição e da coragem por quem tem que tomar decisões sem supervisão, como se sob supervisão estivesse.

.......A condição para que isso aconteça é a prática permanente da comunicação em todos os âmbitos.

.......Dentre as tantas definições de comunicação, a que mais me agrada é a que diz que comunicar é influenciar e ser influenciado na busca do que é o certo.

.......Ou seja: comunicação é via de mão dupla e se dá pelo diálogo direto pessoa a pessoa. O que se escreve nas atas e nos contratos é a ratificação do que ficou estabelecido na conversa.

.......A palavra falada serve para o conhecimento entre as pessoas, o alinhamento e a criação de relações de confiança entre líder e liderado e para que se chegue ao mais importante na tomada de uma decisão, que é o como e o porquê a decisão se deu.

.......A tecnologia da informação trouxe para as empresas meios que proporcionaram muitos ganhos em produtividade. Mas se a internet permite que mensagens sejam transmitidas em tempo real para qualquer lugar do mundo, agilizando processos, ela impõe também o desafio de se buscar a dosagem certa de seu uso -porque o e-mail não deve ser o refúgio de quem prefere fugir do confronto de ideias na base do olho no olho.

.......Comunicação é mais que informação. A informação subsidia, atualiza, nivela conhecimento. A comunicação sela pactos e educa.

.......Nas empresas, a educação das pessoas será sempre fruto da prática da pedagogia da presença, o que significa que o líder deve oferecer a seu liderado tempo, presença, experiência e exemplos -comunicar-se, enfim, com vistas ao crescimento de ambos, tarefa impossível de ser bem feita somente à base de recados pela internet.


EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nestacoluna.

Robert Wong - vejam vídeo deste ícone do mundo corporativo.

Este, acredito, deve ser um dos vídeos mais importantes que terei publicado no blog, até agora. Trata-se de uma entrevista, concedida por Robert Wong, que vem a ser um dos mais prestigiados e competentes "headhunters" do mundo corporativo. Ele é também autor do livro, de muito prestígio, intitulado "O Sucesso está no equilíbrio" (Editora Campus, 2005).

Vejam o que disse dele o empresário Horácio Láfer Piva, industrial respeitado e ex-presidente da FIESP:

“Arrisco dizer que conheço bem Robert Wong, como profissional e como palestrante. Não sei onde é melhor, mas seguramente ouvi-lo faz diferença. Robert foge da simplificação do evento para um resultado que, com densidade e consistência, faz de seus ouvintes gente seguramente melhor. A soma da reflexão e da experiência de Wong é algo poderoso e que merece ser compartilhado. Tanto já promovi, como debati e assisti a palestras de Robert Wong. Posso garantir que todas as situações se mostraram tão igualmente ricas, carregadas de valor, tão úteis quanto agradáveis, que espero a oportunidade de continuar a ouvi-lo por muito tempo. Misture Brasil, China, Estados Unidos, reflexão, contemplação, experiência, DNA oriental, miscigenação, talento e habilidade, e fica mais fácil explicar porquê Wong tem o que nos dizer.” (texto extraído do site "palestrantes.org").

Só para atiçar a curiosidade registro dois dos conceitos de Wong que estão na entrevista.:

  • Ele acha que quando Shakespeare, criou, em "Hamlet" a famosa frase "To be, or not to be: that is the question" não quis dizer exatamente "ser ou não ser, eis a questão", como foi traduzida para o português. Ele quis dizer, "estar ou não estar, eis a questão" e explica porque.
  • Ao final da entrevista faz uma breve, mas belíssima dissertação sobre o que é a responsabilidade que todos nós temos com as habilidades que recebemos. Entre outras explicações ele diz: "Todos recebemos habilidades e dons. Se você tem uma habilidade ou um dom um grande pecado é despreza-los . Ou deixar de usa-los para o bem . Essa é a nossa grande responsabilidade. Cumprir nossas missões."

Realmente é algo que recomendo com toda ênfase aos que visitam a Oficina de Gerência, que vejam a entrevista. . É ouro puro para quem gosta do tema.


video

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1) Se desejar ver a entrevista no contexto do site Canal RH, é só clicar aqui.

2) .Clique no link a seguir e vejam outra entrevista que Robert Wong concedeu à Revista Veja:

11 de JULHO - Projeto Rondon: 1º grupo sai do Rio para ajudar os brasileiros do interior (1967); Margareth Thatcher assume o governo ingles (1979)


http://4.bp.blogspot.com/_53Z0yBgXZWE/R82odYGTBJI/AAAAAAAAAd4/dBp2ernpdyA/s320/Wikipedia-logo.png
(CLIQUE NO LOGOTIPO)

11 de julho

11 de julho é o 192º dia do ano no calendário gregoriano (193º em anos bissextos). Faltam 173 para acabar o ano.

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Eventos históricos

http://3.bp.blogspot.com/_0nYUSJh65XE/SYnUeNBrAkI/AAAAAAAAAS4/Wmjszqow30g/s400/rondon+2009+cigs.JPG

Projeto Rondon
Em 11 de julho de 1967, sai do Rio de Janeiro o primeiro grupo do Projeto Rondon. Inspirado na trajetória desbravadora de Cândido Mariano Rondon, o projeto mobilizou, entre 1967 e 1989, quase 400 mil professores e universitários. Os grupos percorreram diversas regiões do Brasil, tentando auxiliar pessoas carentes.
  • 1967 - O primeiro grupo de participantes do Projeto Rondon, com 27 universitários, parte da cidade Rio de Janeiro com destino a Rondônia.
  • 1973 - Pouso forçado do Vôo 820 da Varig próximo a Paris devido a incêndio num toalete, com 123 mortes, entre eles viajava Filinto Müller, ex-chefe da polícia política de Getúlio Vargas.
  • 1979 - Stanley Barret quebra pela primeira vez a barreira do som, em terra, deslocando-se a 1190 km/h na Califórnia.
http://img.timeinc.net/time/magazine/archive/covers/1979/1101790514_400.jpg
  • 1979 - Margareth Thatcher toma posse como primeira ministra de Inglaterra.
  • 1995 - Bósnios de etnia sérvia capturam a cidade muçulmana de Srebrenica. Muitos habitantes são massacrados.
  • 2006 - Atentados aos comboios da capital financeira da Índia, Bombaim, fizeram cerca de 195 vítimas mortais e inúmeros feridos, muitos deles com gravidade. A situação causou o caos e perdurou, pelos dias seguintes, na memória dos habitantes de uma das maiores metrópoles mundiais.

Nascimentos

http://2.bp.blogspot.com/_wya_Y27oLsA/SYYJkDvNTfI/AAAAAAAAOQI/2wUmCQ872HI/s400/Carlos_Gomes_(fototipia).jpg
http://www.geocities.com/crawfordgirl/yul2.jpg
http://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/cientistas/lattes2.jpg

Um dos maiores cientistas brasileiros, o físico Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como Cesar Lattes tornou-se um ícone na produção científica mundial e um símbolo para o Brasil, servindo de inspiração e estímulo para as gerações seguintes.

No período da Segunda Guerra Mundial, Lattes iniciou pesquisas que contribuiriam para o avanço da ciência em relação à estrutura atômica. A descoberta do "méson pi" – partícula efêmera, com massa entre a do elétron e a do próton – foi essencial para os estudos sobre radiação.

Falecimentos

http://www.irishfiddle.com/George%20Gershwin.jpg
http://musicodobrasil.com.br/loronixcontent/capasloronix/D/DC/LP-ASJobimFC.jpg
http://clotildetavares.files.wordpress.com/2009/04/laurence6-4439.jpg

Feriados e eventos cíclicos


http://idse.imss.gob.mx/imss/source/images/proveedores/logoTerra_Web.jpg
(CLIQUE NO LOGOTIPO)




1536 - Morre Erasmo de Rotterdam, humanista holandês.
1917 - Guilherme II implanta na Prússia o sistema eleitoral direto e secreto.
1921 - Peru e Equador rompem suas relações diplomáticas.
1924 - O governo norueguês decide trocar o nome da capital do país, Cristiania, por Oslo, resolução que entrou em vigor em primeiro de janeiro de 1925.
1936 - Áustria e Alemanha assinam o Pacto de Paz, pelo qual o Reich reconhece a completa independência dos austríacos.

http://www.lessignets.com/signetsdiane/calendrier/images/aout/18/marechal_petain.jpg

1940 - O marechal Pétain, dotado de plenos poderes pela Assembléia Nacional, é nomeado chefe de Estado francês.
1952 - Novecentos aviões norte-americanos bombardeiam ferrovias e fábricas da Coréia do Norte.
1954 - O general Alfredo Stroessner é eleito presidente do Paraguai, após seu golpe militar em maio desse ano.
1962 - Acontece a primeira transmissão de televisão via satélite, possibilitada pelo lançamento do Telstar 1, o primeiro satélite internacional de comunicações.

http://ftcrondon.files.wordpress.com/2009/06/projeto_rondon_logo.jpg

1973 - Aterrissagem forçada de um avião Boeing 707, perto de Paris, deixando 124 mortos.
1974 - Morre Par Lagerkvist, escritor sueco, Prêmio Nobel de 1951.
1975 - A greve geral convocada pela Central dos Trabalhadores provoca a queda do governo argentino. Isabel Perón aceita as reivindicações salariais dos trabalhadores. López Rega abandona o país.
1983 - Explode no ar um avião equatoriano com 119 pessoas a bordo.
1990 - Alberto Fujimori é proclamado oficialmente presidente do Peru.
1992 - A Igreja da Inglaterra aprova por maioria simples o exercício do sacerdócio para as mulheres.
1994 - Os Estados Unidos restabelecem relações diplomáticas com o Vietnã.
1995 - Guerra da Bósnia: o território muçulmano de Srebrenica cai em poder dos sérvios e 20.000 pessoas fogem da cidade.
1996 - O Tribunal Internacional para a Antiga Iugoslávia emite uma ordem de busca e captura contra o líder político sérvio Radovan Karadzic e seu chefe militar, o general Ratko Mladic.
2000 - A Justiça militar peruana condena à prisão perpétua Ernestina Hinostroza, "camarada Marcia", comandante política do Sendero Luminoso.
2001 - A situação volta à normalidade em Kingston (Jamaica) devido à presença do exército, depois de três dias de violência entre polícia e opositores do governo, que deixaram 27 mortos.


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08/07/2009

TEMPO: Aprenda a administrá-lo e viva melhor (Mário Persona)

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Houve uma época na minha carreira, logo que tomei consciência que o tempo era administrável, que fiquei fascinado com as coisas que conseguia aplicando aquelas regrinhas, formulários e dicas que estão colocadas em todos os livros, cursos e artigos sobre o tema. Tanto estudei que cheguei a ministrar pequenas palestras sobre "administração do tempo" para colegas de empresa. Virei uma "autoridade" na minha pequena corporação.

Devo ter sido um chato. Sabe aqueles caras que só falam em uma coisa quando estão aprendendo sobre ela? Pois é! Eu era assim. Não percebia mas roubava o tempo das pessoas à minha volta. Era um "ladrão de tempo"... delas.

Depois, com o amadurecimento natural, a ascensão na carreira e a experiência de ter que, efetivamente, administrar o meu tempo percebi que foi muito positivo haver estudado e aplicado os conceitos teóricos de administração do tempo pois pude escolher, com conhecimento de causa, as melhores ferramentas e fazer do tempo um aliado poderoso para se alcançar objetivos profissionais e pessoais.

De tudo que aprendi e apliquei ficou em um conceito que jamais esqueci:
  • "Tempo é inelástico". Não se pode aumentá-lo ou diminui-lo, mas pode-se administra-lo. "Todos nós nascemos com o mesmo tempo disponível, a cada dia, para viver nossas vidas." É o que fazemos com as nossas 24 horas que nos diferencia, que nos faz crescer ou diminuir, avançar ou retroceder...
http://www.cursos.guiasites.net/cursos/Administracao-do-Tempo/tempo.jpg

Acho que incorporei este conceito de tal forma que, embora tenha deixado de ser "um chato" passei a operar nessa frequencia e não posso reclamar da vida... Consigo administrar bem minhas 24 horas por dia. Às vezes falta um pouco - são aqueles dias nos quais necessitamos de 36 horas para fazer tudo que precisamos - ou sobram as horas e não sabemos o que fazer com elas.

O que posso ensinar da minha vivência é que cada pessoa tem um estilo próprio de administrar o seu tempo... e dos outros também. Principalmente se estiver em cargo de chefia (inclua-se ai a própria familia). Não existem regras rígidas ou manuais. O importante é que cada um consiga fazer o que se programar a cada dia, semana, mês e ano. Todos os períodos tem suas particularidades e nós devemos ter planejamentos para cada um deles.

Mario Persona - Comunicação e Marketing
clique no logotipo

Mário Persona é um consultor que entende do riscado. Este vídeo dele que capturei no YouTube é uma das melhores peças que encontrei na internet sobre a administração do tempo. Não deixem de assisti-lo. Você vai aprender bastante e, com certeza, melhorar a sua relação com o tempo. O seu e principalmente dos outros.

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PS - Meu dileto amigo Rocha Maia que não é apenas um artista, é um artista completo, deixou um comentário que resolvi trazer ao corpo principal do post. Ele que é um intelectual e ex-professor universitário além de estar há tempos dedicado à carreira artística como pintor talentoso e especial nos traz um depoimento dos mais interessantes. Leiam-no com atenção pois reflete a realidade das pessoas que se aposentam na hora certa e com um leque de projetos pessoais para realizar.
Sei disso porque aconteceu comigo também. Quando me aposentei tinha tantas tarefas e atividades - todas muito prazerosas - que faltavam horas no dia para cumpri-las. Voltei ao batente, mas as saudades daqueles tempos existem e não me deixo esquecer que estou louco para lá voltar, quando acabar esta missão que ora desempenho.Mas, leiam o que o Rocha Maia
Anônimo Rocha Maia (apenas um artista) disse...

Salve amigo Drummond!
Agora que estou aposentado, vejo o quanto determinados assuntos passam a ser mais importantes do que antes. Tempo! Interessante como este tema é importante nos meus dias atuais. Quando tinha minhas atividades rotineiras na Codevasf, dava aulas na faculdade ou prestava serviços de consultoria, sem descuidar da minha vida artística e familiar, o tempo tinha a sua natural importância. Certamente não teria eu conseguido fazer tantas coisas, tão diversas coisas, sem que de alguma forma o tempo estivesse sendo administrado. Sem chegar a ser um escravo do relógio, mas com uma capacidade exemplar de cumprir os compromissos agendados, que eu me lembre, nunca falhei nos horários de iniciar alguma tarefa. Cheguei a ministrar cursos e dar palestras cujos temas estavam relacionados à questão "administração do tempo". Aquela dica de anotar as coisas e ir seguindo as metas, oferecida pelo Mário Persona, uma forma simplificada de fazer uma agenda diária, eu usei muito. Funciona!
Mas, o que eu queria dizer? Sim, agora que estou aposentado, quando tudo parecia indicar que o tempo deixaria de ter tanta importância, eis que o tempo ficou curto para realizar tudo o que desejo fazer. Interessante! Justamente quando eu pensava que teria a liberdade para fazer as coisas quando eu bem desejasse fazer, percebo o tempo curto, limitado.
Não sei afirmar qual o motivo, porém a realidade tem sido esta: o tempo não está dando para que eu consiga fazer todas as coisas que planejo.
Creio que o efeito é parecido com a terra depois que cavamos e tentamos devolvê-la ao local de origem.
Antes, o uso do tempo estava todo organizado, medido, compactado, previsto e rotineiramente disposto; agora não mais! Há uma espécie de caos!
Foi bom encontrar na Oficina de Gerência os ensinamentos do prof. Mário.
Me serviram para reciclar.

10/07/09 16:37


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07/07/2009

A ciência, a vida, a fé e o cosmos (Marcelo Gleiser)

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............... Não me atreverei a comentar o artigo de Marcelo Gleiser, escrito para sua coluna na Folha de São Paulo no dia 5 de julho. Este é o segundo texto do famoso astrônomo e fisico brasileiro que publico no blog. Me questiono um pouco sobre postar artigos desse teor no blog, mas não resisto.

............... O nível dos textos e do pensamento de homens como Marcelo Gleiser é tão alto que disponibiliza-los para os amigos é quase um dever. Assim entendo e não hesito em faze-lo.

............... Portanto, meus caros, desfrutem porque embora não seja assunto do mundo corporativo dos negócios e das empresas é, sim, topico para ser pensado e discutido nas melhores rodas de conversas que você possa frequentar.

............... A fé e a ciencia sempre estiveram em campos antagônicos ao longo da historia dos tempos. São muitos os contos, narrativas, fábulas, lendas e tramas que cercam este milenar confronto.

............... Se você se interessar visite um excelente site que conheci na pesquisa para este post que fala sobre Fé e Ciencia (clique aqui). Seu autor é um professor chamado Karl Heinz Kienitz que, sendo um acadêmico do mais alto circulo intelectual é também um ser humano que acredita no poder supremo e resolveu criar seu espaço pessoal para expressar suas reflexões. Eu adorei e o coloquei nos meus favoritos.

............... Reproduzo, dele, o texto abaixo contendo algumas citações de cientistas famosos que enunciaram seus pensamentos a respeito dessa questão:
............... [...] "De fato podemos citar muitos cientistas que consistentemente combina(ra)m uma fé bíblica e uma atividade científica de ponta. Por falta de espaço irei citar apenas mais três.

  • André Marie Ampère, cujo nome ficou para sempre associado à unidade de corrente elétrica, recomenda: “Estude as coisas deste mundo, é tua profissão; mas olha-as apenas com um olho e fita o outro permanentemente na luz eterna ... Escreva apenas com uma mão; com a outra te segura na veste de Deus assim como uma criança se segura na veste de seu pai.”
  • Louis Pasteur, o grande microbiólogo francês do século XIX, entendia a busca pela verdade na ciência e na fé como interrelacionadas e afirmou: “Proclamo Jesus como filho de Deus em nome da ciência. Meu espírito científico, que dá grande valor à relação entre causa e efeito, compromete-me a reconhecer que, se ele não o fosse, eu não mais saberia quem ele é ... Suas palavras são divinas, sua vida é divina, e foi dito com razão que existem equações morais assim como existem equações matemáticas.”
  • Arthur L. Schawlow, prêmio Nobel de Física de 1981, disse: “... eu encontro uma necessidade por Deus no universo e em minha própria vida ... Somos afortunados em termos a Bíblia, e especialmente o Novo Testamento, que nos fala sobre Deus em termos humanos muito acessíveis, embora também nos deixe algumas coisas difíceis de entender.” [...]

Chega de "falatório" por aqui. Afinal de contas o centro do post é o artigo de Marcelo Gleiser. Vamos a ele.






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Marcelo Gleiser

Consciência cósmica


Será que a vida inteligente não passa de uma coincidência?

"Não há dúvida de que nós, seres humanos, temos a necessidade de encontrar significado em tudo o que fazemos. Tudo tem (ou deveria ter) uma causa por trás, algo que justifica uma ação ou uma reação.


Uma doença é causada por um agente -por exemplo, um vírus. Fazemos ginástica para estar em forma. Procuramos ter amigos, prazer, amor na tentativa de viver nossas vidas da melhor forma possível. Quando nos perguntamos sobre as causas das coisas, do mundano ao mais profundo, nós esperamos uma explicação, algo que faça sentido.


Tradicionalmente, as perguntas ditas mais profundas eram relegadas a explicações religiosas ou míticas, lançando mão de agentes sobrenaturais. Como o mundo surgiu? E a vida? Existe alguma razão para estarmos aqui? Ou a existência não passa de acidente?


Hoje a ciência também encara essas questões. Dentre as mais fascinantes, talvez a de maior significado para nós seja a relação (ou não) entre a mente, a vida e o Universo. Será que a vida, em particular a vida inteligente, não passa de uma coincidência, resultado de inúmeros acasos sem nenhuma razão de ser? Ou será que estamos aqui (talvez juntamente com outras inteligências) por algum motivo?


Descontando a versão bíblica de que estamos aqui criados segundo a imagem de um Deus onipotente ou que estamos vivendo o nosso inevitável carma, existem várias respostas de cunho científico. Apesar de não sabermos se alguma delas está certa, a discussão é frutífera, trazendo à tona aspectos importantes do pensamento científico contemporâneo. Sem tentar ser exaustivo, eis algumas delas. Em futuros textos voltarei ao assunto.


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1. O cosmo é único, resultado de uma estrutura matemática que a física teórica vislumbra em raros momentos. Por trás da enorme diversidade das coisas, em particular da matéria e das suas propriedades, existem leis bem determinadas e eternas que ditam desde a existência do Universo ao valor da carga e da massa do elétron.


Se algum dia obtivermos essa teoria unificada, a teoria de tudo, teremos chegado ao ápice da racionalidade, decifrando o código secreto da natureza.


(A "mente de Deus" como Hawking e outros afirmam.) Segundo essa visão, a vida e a mente são acidentais, já que a física e a química têm pouco ou nada a dizer sobre a emergência da vida.


2. O cosmo é um dentre possivelmente infinitos outros, todos parte de um multiverso. Em cada um deles, as propriedades físicas são diferentes.


Apenas em alguns poucos a vida é possível. Algumas versões das teorias unificadas preveem a existência, ou são compatíveis, com o multiverso. Os unificadores mais radicais afirmam que, se o Universo é único, o multiverso não pode existir. De qualquer forma, uma das dificuldades dessa visão é encontrar um critério seletivo que justifique de forma natural a nossa existência. Uma teoria na qual tudo é possível explica muito pouco.


3. Existe um princípio vital, alguma lei que ainda desconhecemos, que explica a existência da vida no Universo.


Essa versão apela para a teleologia, afirmando que o cosmo é de alguma forma responsável pela existência da vida e, em particular, da vida inteligente. Mesmo dentro de uma formulação científica, fica difícil separar essa visão da visão religiosa, onde causas são atribuídas a um princípio criativo divino. Por outro lado, como vários exemplos históricos mostram, o que hoje chamamos de mágico ou sobrenatural pode, um dia, vir a ser explicado cientificamente. É prudente manter a cabeça aberta.


O contraste é na postura natural versus sobrenatural, ou seja, na capacidade de a ciência oferecer repostas plausíveis à questões dessa natureza."


MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo"


Cazuza morreu há 19 anos (1990). Parece que foi ontem...

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.......Eu nem estava com vontade de entrar no blog hoje. Estou cansado e vou acordar muito cedo amanhã, aliás, hoje. Mas não poderia deixar de fazer um post de homenagem a um artista que já não está entre nós e que, mesmo após 19 anos de sua morte, tem a admiração de todos os que cantaram e admiraram sua poesia e seu estilo de vida. Falo de Cazuza.

.......Cazuza morreu no dia 7 de julho de 1990. Parece que foi ontem. Ou melhor, não é dificil pensar que continua vivo entre nós. Ainda é possível "ver" sua figura alegre de poeta talentoso cantando daquela forma única, cheia de deboches e irreverências, nos shows de televisão e aparecendo nas revistas e entrevistas sempre escandalizando, mas encantando meio mundo com sua figura bonita e sua irreverência que era um pouco de cada um de nós. Todos amavam Cazuza.

.......Sua saga, ao enfrentar a AIDS, foi um martirio de todos que a presenciaram. Sofremos juntos sua degeneração e choramos juntos a cada uma das canções tristes que compôs naqueles dias de padecimentos. Todavia após sua morte, tão prematura aos 32 anos, só nos lembramos dos seus dias de alegria e de poesia.

.......Acho que a memória dos seus inumeros admiradores (eu entre eles) recusa-se a aceitar as imagens tristes da doença que o consumiu e matou. Por isto ao homenagea-lo neste humilde post coloquei, na maioria, fotos dos seus bons tempos.

.......Visitei o site da Sociedade Viva Cazuza e o trabalho maravilhoso que a mãe do poeta desenvolve com apoio na memória do seu filho. Mais do nunca, ao se conhecer o que lá é feito, entendemos o significado do verso de Cazuza: "O tempo não para".

.......Ao final do post assistam um vídeo onde ele canta uma das suas mais belas canções "Codinome Beija Flor.

Viva Cazuza, sempre!

SOCIEDADE <span class=
(clique sobre o logotipo)


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05/07/2009

Nos laços (fracos) da internet (Revista Veja)

Nos laços (fracos) da internet

Em nenhum outro país as redes sociais on-line têm alcance tão grande
quanto no Brasil, com uma audiência mensal de 29 milhões de pessoas.
Mas ter milhares de amigos virtuais não deixa ninguém menos solitário

Diogo Schelp


Montagem com foto de Otavio Dias de Oliveira
O preço da superexposição

A produtora cultural Liliane Ferrari, de 34 anos, é uma fanática confessa pelas redes sociais on-line. Seu perfil está em nada menos que 21 comunidades virtuais.
Há dois anos, Liliane precisava contratar, em menos de uma semana, quarenta educadores para duas exposições no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Atrás de indicações, enviou um e-mail para os amigos. A mensagem se alastrou e sua vida passou a ser vasculhada em seu blog, no Facebook, no Orkut e no Twitter por candidatos às vagas.
No Orkut, Liliane começou a receber 300 recados por hora. Descobriram até o número do seu celular. "A operadora de telefonia ligou perguntando o porquê de tantas ligações – tive de trocar o número", conta. O pior foi fazer as entrevistas: como sabiam tudo sobre ela, os candidatos se achavam íntimos.
"Eles perguntavam da minha filha e do meu passeio de fim de semana na praia. Foi horrível", diz Liliane, que agora toma mais cuidado com suas informações na internet.


VEJA TAMBÉM

As redes sociais na internet congregam 29 milhões de brasileiros por mês. Nada menos que oito em cada dez pessoas conectadas no Bra-sil têm o seu perfil estampado em algum site de relacionamentos. Elas usam essas redes para manter contato com os amigos, conhecer pessoas – e paquerar, é claro, ou bem mais do que isso. No mês passado, uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que 7,3% dos adultos com acesso à internet fizeram sexo com alguém que conheceram on-line. Os brasileiros já dominam o Orkut e, agora, avançam sobre o Twitter e o Facebook. A audiência do primeiro quintuplicou neste ano e a do segundo dobrou. Juntos, esses dois sites foram visitados por 6 milhões de usuários em maio, um quarto da audiência do Orkut. Para cada quatro minutos na rede, os brasileiros dedicam um a atualizar seu perfil e bisbilhotar o dos amigos, segundo dados do Ibope Nielsen Online. Em nenhum outro país existe um entusiasmo tão grande pelas amizades virtuais. Qual é o impacto de tais sites na maneira como as pessoas se relacionam? Eles, de fato, diminuem a solidão? Recentemente, sociólogos, psicólogos e antropólogos passaram a buscar uma resposta para essas perguntas. Eles concluíram que essa comunicação não consegue suprir as necessidades afetivas mais profundas dos indivíduos. A internet tornou-se um vasto ponto de encontro de contatos superficiais. É o oposto do que, segundo escreveu o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), de fato aproxima os amigos: "Eles precisam de tempo e de intimidade; como diz o ditado, não podem se conhecer sem que tenham comido juntos a quantidade necessária de sal".

Por definição, uma rede social on-line é uma página na rede em que se pode publicar um perfil público de si mesmo – com fotos e dados pessoais – e montar uma lista de amigos que também integram o mesmo site. Como em uma praça, um clube ou um bar, esse é o espaço no qual as pessoas trocam informações sobre as novidades cotidianas de sua vida, mostram as fotos dos filhos, comentam os vídeos caseiros uns dos outros, compartilham suas músicas preferidas e até descobrem novas oportunidades de trabalho. Tudo como as relações sociais devem ser, mas com uma grande diferença: a ausência quase total de contato pessoal.

Os sites de relacionamentos, como qualquer tecnologia, são neutros. São bons ou ruins dependendo do que se faz com eles. E nem todo mundo aprendeu a usá-los a seu próprio favor. Os sites podem ser úteis para manter amizades separadas pela distância ou pelo tempo e para unir pessoas com interesses comuns. Nas últimas semanas, por exemplo, o Twitter foi acionado pelos iranianos para denunciar, em mensagens curtas e tempo real, a violência contra os manifestantes que reclamavam de fraudes nas eleições presidenciais. Em excesso, porém, o uso dos sites de relacionamentos pode ter um efeito negativo: as pessoas se isolam e tornam-se dependentes de um mundo de faz de conta, em que só se sentem à vontade para interagir com os outros protegidas pelo véu da impessoalidade.

O sociólogo americano Robert Weiss escreveu, na década de 70, que existem dois tipos de solidão: a emocional e a social. Segundo Weiss, "a solidão emocional é o sentimento de vazio e inquietação causado pela falta de relacionamentos profundos. A solidão social é o sentimento de tédio e marginalidade causado pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma comunidade". Vários estudos têm reforçado a tese de que os sites de relacionamentos diminuem a solidão social, mas aumentam significativamente a solidão emocional. É como se os participantes dessas páginas na internet estivessem sempre rodeados de pessoas, mas não pudessem contar com nenhuma delas para uma relação mais próxima. A associação entre a sensação de isolamento e o uso compulsivo de comunidades virtuais foi observada em pesquisas com jovens na Índia, na Turquia, na Itália e nos Estados Unidos. Na Austrália, um estudo da Universidade de Sydney com idosos mostrou que aqueles que usam a internet principalmente como uma ferramenta de comunicação tinham um nível menor de solidão social. Já os entrevistados que preferiam usar os computadores para fazer amigos apresentaram um alto grau de solidão emocional.

Ao contrário do e-mail, sites como Orkut, Facebook e Twitter, por sua instantaneidade, criaram esse novo tipo de ansiedade: a de ficar sempre plugado para evitar a impressão de que se está perdendo algo. Lev Grossman, colunista de tecnologia da revista americana Time, revelou há pouco ter decidido cancelar sua conta no Twitter porque percebeu que estava ficando mais interessado na vida alheia do que na própria. A produtora cultural Liliane Ferrari, de São Paulo, é extrovertida e comunicativa. No entanto, como trabalha em casa e tem uma filha pequena, considera ter pouco tempo para se encontrar pessoalmente com os amigos. Em compensação, passa duas horas por dia atualizando e conferindo os 21 sites de relacionamentos e blogs dos quais faz parte. Mas já está ficando apreensiva. "Quando fico conectada com um monte de gente por muito tempo, tenho a impressão de que, no fundo, não conheço ninguém. É uma coisa meio esquizofrênica, parece que estou ficando louca", diz Liliane. Ela não tem dúvida de que, em relação aos amigos mais íntimos, nada substitui o contato pessoal. "Quando se desabafa com um amigo pela internet, alguns sinais de afetividade são deixados de lado, como o olhar, a expressão corporal e o tom de voz", diz a psicóloga Rita Khater, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

As amizades na internet não são sequer mais numerosas do que na vida real. De nada adianta ter 500 ou 1 000 contatos no Orkut. É impossível dar conta de todos eles, porque o limite das relações humanas é estabelecido pela biologia. O número máximo de pessoas com quem cada um de nós consegue manter uma relação social estável é, em média, de 150, segundo o antropólogo inglês Robin Dunbar, um dos mais conceituados estudiosos da psicologia evolutiva. Dunbar observou que o tamanho médio dos conjuntos de diferentes espécies de primata depende do tamanho do seu cérebro. Extrapolando a lógica para o Homo sapiens, o pesquisador chegou ao seu número mágico, confirmado pela análise de diversos grupos humanos ao longo da história. Sua teoria é que, desde o paleolítico, nossos ancestrais foram desenvolvendo a linguagem ao mesmo tempo em que ampliavam o seu círculo social – ou seja, aqueles indivíduos com quem se acasalavam, faziam alianças, fofocavam, cooperavam e, eventualmente, brigavam. Amigos, numa versão mais rudimentar. Há cerca de 10 000 anos, chegou-se ao limite calculado por Dunbar, estabelecido pela impossibilidade de o ser humano aumentar a sua capacidade cognitiva, o que inclui as habilidades de comunicação.

Dunbar começou a estudar o assunto na década de 90 e, agora, o seu cálculo está sendo confirmado nos sites de relacionamentos. Em média, o número de contatos nos perfis do Facebook e de seguidores no Twitter é de 120 pessoas. No Orkut, cada brasileiro tem cerca de 100 amigos. Mesmo quem foge do padrão e consegue amealhar alguns milhares de companheiros virtuais não conhece, de fato, muito mais do que uma centena. A cantora Marina de la Riva tem, entre Orkut, Facebook e MySpace, 4 700 contatos. "Mas não me comunico com mais do que 100 deles", diz Marina. O número de Dunbar, 150, não é uma unanimidade entre os cientistas. Valendo-se de uma metodologia diferente, um grupo de antropólogos americanos, entre os quais Russell Bernard, da Universidade da Flórida, concluiu que, nos Estados Unidos, os laços de amizade de uma pessoa podem chegar a 290. Cento e cinquenta ou 290 pessoas: não importa qual seja a cifra, ainda está muito longe do número de amigos que os mais ativos apregoam ter na rede eletrônica. "A internet é muito boa para administrar amizades já existentes, garantindo sua continuidade mesmo a grandes distâncias, mas é ruim para criar do zero relações de qualidade", disse Dunbar à revista.

Existem diferentes níveis de amizade, é lógico. As mais distantes são mais abundantes. É o que se chama, em sociologia, de "laços fracos". Relações sociais estáveis como as estudadas por Dunbar e Bernard são chamadas, por sua vez, de "laços fortes". Dentro dessa categoria há um núcleo reduzido de confidentes, que não costumam passar de cinco. Esses são os amigos do peito, com quem podemos contar sempre, mesmo nos piores momentos. As mulheres costumam ter um núcleo de confidentes maior que o dos homens. A característica se repete na internet. No Facebook, por exemplo, um homem com 120 contatos na lista responde com frequência aos comentários de sete amigos, em média. Entre as mulheres, esse número sobe para dez. "As mulheres têm mais facilidade para fazer amizades próximas do que os homens", diz a antropóloga Claudia Barcellos Rezende, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Já os homens se especializaram em estabelecer um número maior de relações, mas com um grau de intimidade menor. Em termos evolutivos, isso se explica pela necessidade do homem de sair para buscar o sustento, fazendo alianças temporárias com uma quantidade maior de indivíduos, enquanto as mulheres ficavam com os filhos e se juntavam às outras mães para proteger a prole.

A vida moderna, curiosamente, pode estar tornando as relações de amizade mais masculinizadas. "O tamanho médio do núcleo de amigos próximos parece estar diminuindo, enquanto a rede de contatos fracos aumenta", disse a VEJA o sociólogo Peter Marsden, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Ou seja, cresceram as relações superficiais, efêmeras, e reduziram-se as mais afetivas, profundas. A tendência é reproduzida à perfeição – e intensificada – nas redes sociais on-line. É como se a maioria das relações fosse estratégica, tal como as dos homens das cavernas. "Nesses sites, é possível manter os relacionamentos a uma distância segura. Ou seja, aproximações e afastamentos se dão na medida do necessário", afirma Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da Universidade de São Paulo. Um exemplo conhecido dos adeptos do Orkut no Brasil são os ex-colegas de escola que, depois de anos sem se comunicar e mesmo sem ter nenhuma afinidade pessoal, passam a engordar a lista de amigos virtuais uns dos outros. Quando conveniente, o contato é retomado para resolver questões práticas. Esses laços fracos são muito úteis, por exemplo, para descobrir oportunidades de trabalho. Amigos próximos são menos eficientes em tal quesito porque, em geral, circulam no mesmo meio e têm acesso às mesmas informações. Uma das redes sociais com o maior crescimento de adeptos no mundo é justamente o LinkedIn, especializado em estabelecer vínculos profissionais.

Na internet, é fácil administrar uma enorme rede de contatos, com pessoas pouco conhecidas, porque estão todos ao alcance de um clique. A lista de amigos virtuais é uma espécie de agenda de telefones, com a vantagem de não ser necessário ligar para todos uma vez por ano para não ser esquecido. Basta manter o perfil atualizado e acrescentar à página comentários sobre, por exemplo, suas atividades cotidianas. Isso cria um efeito conhecido como "sensação de ambiente". É como se cada um dos contatos de determinada pessoa estivesse fisicamente presente no momento em que ela reclama de uma coceira nas costas ou comenta sobre a música que está ouvindo. O Twitter explora esse princípio na sua forma mais crua, ao incitar os seus participantes a responder em apenas 140 caracteres à pergunta: "O que você está fazendo?". Os comentários vão de "comendo pão de queijo" a observações espirituosas sobre a vida. O fluxo constante de informações pessoais cria um paradoxo: ao mesmo tempo que ele é necessário para cativar a atenção dos amigos virtuais, pode pôr em risco a imagem pública do indivíduo. Certamente seria embaraçoso para um candidato a um emprego que o seu futuro chefe lesse a seguinte revelação encontrada pela reportagem de VEJA em um perfil do Orkut: "No colégio, eu tinha o hábito de bater no bumbum das alunas com uma régua, quando elas passavam pela minha mesa".

Cada perfil nos sites de relacionamentos pode ser comparado a um pequeno palco. Esse exercício até certo ponto teatral é, no entanto, apresentado a uma audiência invisível. "Como não estamos vendo nossos espectadores, somos incapazes de observar sua reação ao que estamos fazendo e, com isso, ficamos à vontade para nos expor mais do que seria prudente", disse a VEJA Barry Wellman, professor de sociologia da Universidade de Toronto, no Canadá. As táticas para driblar a superexposição nas redes sociais on-line são variadas. Há quem mantenha dois perfis no mesmo site: um para laços fracos, com informações pessoais mais contidas, e outro para laços fortes, em que se pode permitir um grau de exposição maior. A atriz Mel Lisboa teve, durante algum tempo, um perfil com pseudônimo no Orkut, por meio do qual mantinha contato apenas com os amigos mais próximos. Quando os fãs descobriram, ela passou a receber pedidos incessantes de entrada em sua lista de amigos. "Era uma situação complicada, porque eu não estava ali para divulgar o meu trabalho", diz Mel. "Eu ficava sem graça de recusar um pedido de autorização e acabei desistindo do Orkut." Atualmente, há uma página com o nome e a foto dela no site, mas é falsa. Alguém se passa por ela. Outra forma de manter a privacidade on-line é usar os filtros, disponíveis em muitos sites, que permitem selecionar quais amigos podem ver determinadas partes do perfil pessoal.

A necessidade de classificar os contatos virtuais na sua página do Orkut ou do Facebook segundo o grau de intimidade desafia um dos princípios da amizade verdadeira: a total reciprocidade. Na vida real, o desnível da afinidade que uma pessoa sente pela outra costuma ficar apenas implícito na relação entre elas. Na internet, ele é escancarado. Pode-se simplesmente bloquear o acesso de certos amigos a determinadas informações. Além disso, ela não estimula aquele tipo de solidariedade que faz com que dois amigos de carne e osso aturem, mutuamente, os maus momentos de ambos. Esse grau de convivência e aceitação de azedumes ou mesmo defeitos alheios é quase inexistente nas redes sociais. Quando alguém começa a incomodar, é ignorado ou deletado. "Se o objetivo é um vínculo afetivo maior, é preciso se encontrar pessoalmente", resume candidamente Danah Boyd, pesquisadora do Microsoft Research, um laboratório inaugurado em Massachusetts pela empresa de Bill Gates para o estudo do futuro da internet.

Ao fim e ao cabo, usar as redes sociais para fazer uma infinidade de amigos – quase sempre não muito amigos – é uma especialidade de Brasil, Hungria e Filipinas, países que têm o maior número de usuários com mais de 150 contatos virtuais. Uma pesquisa nos Estados Unidos, por exemplo, mostrou que 91% dos adolescentes usam os sites apenas para se comunicar com amigos que eles já conhecem. Parecem saber que, como dizia Aristóteles, amigos verdadeiros precisam ter comido sal juntos. O que você está esperando? Saia um pouco da sua página virtual, pare de bisbilhotar a dos outros, dê um tempo nas conversinhas que só pontuam o vazio da existência e vá viver mais.


Uma mina de empregos

Ernani d’Almeida


O carioca André Rodrigues, de 35 anos, gerente de projetos da IBM, recebe cinco propostas de emprego por mês. Não, André não fica enviando pilhas e pilhas de currículos pelo correio. Tudo se deve ao perfil que ele mantém no LinkedIn, com 1 800 contatos. Em 2007, André conseguiu um emprego em uma fábrica de software, em Campinas, graças à indicação de um integrante do site. "É uma rede de relacionamentos com um foco profissional bem definido. Não estou ali para fazer amigos, mas para fazer contatos", diz André. Para assuntos pessoais, ele usa sua conta no Orkut.

Amizade de fã

Montagem com foto de Otavio Dias de Oliveira


A cantora carioca Marina de la Riva, de 36 anos, descobriu uma maneira eficiente de tirar proveito profissional dos sites de relacionamentos, sem precisar expor sua privacidade. "Minha carreira é o que é hoje graças à facilidade com que pude divulgar minha música no Orkut, no MySpace e no Facebook", diz Marina, que já fez um show só para os amigos virtuais. Ela tem uma regra: jamais falar sobre sua vida pessoal nos sites. "Está na rede, é público, e você nunca consegue controlar as informações que circulam ali", diz. Apesar disso, ela já fez duas novas amizades na internet: a cantora Thalma de Freitas e o pianista Eduardo Nazarian. A relação com eles só se estreitou depois que Marina os encontrou pessoalmente.

Pessoalmente é melhor

Montagem com foto de Otavio Dias de Oliveira


Quando quer desabafar sobre algo que aconteceu o trabalho, o publicitário Felipe Nakasima, de São Paulo, solta o verbo no Twitter. "Alguns colegas que me seguem no site chegam a me alertar para não cutucar certas pessoas", diz ele. Felipe, de 25 anos, gasta duas horas por dia atualizando o perfil em sites como Orkut e Facebook e tem uma grande amiga que conheceu pela internet. Mas isso só foi possível porque eles transferiram a amizade do mundo virtual para o real. "Para poder dizer que se conhece bem uma pessoa, é preciso ter passado um bom tempo junto dela", afirma. Para Felipe, uma das grandes vantagens dos sites de relacionamentos é poder manter contato com amigos que vivem longe.


Ciúme do Big Brother

Otavio Dias de Oliveira


As redes sociais on-line são um veneno para os ciumentos. A estudante de letras Livia Moraes, de 22 anos, teve de desistir por um tempo dos sites para salvar um namoro. Ela atualizava diariamente o seu perfil no Orkut, com 400 contatos, e seu blog de fotos, até que as brigas com o namorado, que vivia em outra cidade e monitorava os passos de Livia pela internet, se tornaram insuportáveis. "Eu adicionava qualquer pessoa na minha lista de contatos e gostava de xeretar a vida dos outros. Eu me sentia num Big Brother", diz. Depois de abandonar os perfis, o namoro vingou e o casal, que vive em São Carlos, no interior de São Paulo, teve um filho. Recentemente, Livia voltou para o Orkut, principalmente para se comunicar com amigos próximos.

Um caso à parte

Leo Caldas/Titular


Iara e Raul Zumaêta viviam a 1 600 quilômetros de distância quando se conheceram por meio de uma comunidade do Orkut. A estudante de enfermagem Iara, de 23 anos, era de Goiânia e o bancário Raul, de 24, de Salvador. Depois de um mês de trocas intensas de mensagens pela rede, resolveram oficializar o namoro, para espanto dos pais. Durante três anos, encontraram-se pessoalmente apenas nos feriados. No ano passado, casaram-se e hoje vivem em João Pessoa. "A parte mais difícil de conhecer uma namorada on-line é que você nunca pode ter certeza de que ela é realmente como se apresenta no site", diz Raul. "Eu tive sorte."

Com reportagem de Jacqueline Manfrin e Kalleo Cour

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Coleção Folha de São Paulo - Clássicos do Cinema.